quinta-feira, 22 de maio de 2014

Teia Alimentar Pré Histórica

Quem comia quem no Cretáceo caipira

Crédito: http://darwinedeus.blogfolha.uol.com.br/2014/05/21/quem-comia-quem-no-cretaceo-caipira/

Fazia anos que eu não via uma imagem tão legal num artigo científico quanto a singela teia alimentar abaixo. Coisa linda. Confiram:



Teia alimentar do fim do Cretáceo do interior paulista (há 85 milhões de anos). Lista completa das espécies abaixo.

Por que estou empolgado com essa imagem em preto e branco? Oras, porque não é todo dia que a gente consegue ter um vislumbre tão detalhado de como eram as interações ecológicas que aconteciam há 85 milhões de anos aqui do nosso lado, no noroeste do Estado de São Paulo (e provavelmente em boa parte do interior do Brasil também). Esses são os bichos que viviam na região que hoje é conhecida como Formação Adamantina no fim do período Cretáceo, o último da Era dos Dinossauros (dali a “apenas” 20 milhões de anos, um meteorito poria fim ao looongo reinado dos lagartões).

Vamos então ao quem é quem dos bichos, sem mais delongas.

1) Grandes terópodes (dinossauros bípedes carnívoros): abelissaurídeos, carcarodontossaurídeos, megaraptores; 
2) peirosaurídeos (crocodilos terrestres de médio porte, carnívoros): Montealtosuchus arrudacamposi, Pepesuchus deiseae
3) tartarugas: Bauruemys elegans, Roxochelys wanderleyi
4-6) peixes; 
7) trematocampsídeos (crocodilos semiaquáticos): Barreirosuchus franciscoi
8) notosúquios (crocodilos terrestres de médio a pequeno porte, carnívoros): Labidiosuchus amicum, Mariliasuchus amarali, M. robustus, Morrinhosuchus luziae
9) baurussuquídeos (crocodilos terrestres de grande porte, predadores de grande porte): Baurusuchus albertoi, B. pachecoi, B. salgadoensis, Campinasuchus dinizi, Gondwanasuchus scabrosus, Pissarrachampsa sera, Stratiotosuchus maxhetchi
10) mamíferos; 
11) anuros (anfíbios como sapos e rãs); 
12) Adamantinasuchus navae (crocodilo de pequeno porte, carnívoro ou insetívoro); 
13) saurópodes (dinossauros herbívoros quadrúpedes de pescoço longo): Adamantisaurus mezzalirai, Aeolosaurus maximus, Gondwatitan faustoi, Maxakalisaurus topai, nemegtosaurídeos; 
14) esfagessaurídeos (crocodilos terrestres, possivelmente herbívoros): Caipirasuchus paulistanus, Caryonosuchus pricei, Sphagesaurus huenei, S. montealtensis
15) unenlagiínos (dinossauros carnívoros de pequeno porte, semelhantes ao Velociraptor); 16) aves primitivas; 
17) lagartos: Brasiliguana prudentis
18) serpentes; 
19) insetos (besouros); 
20) Armadillosuchus arrudai (crocodilo terrestre, com adaptações semelhantes às dos tatus modernos, possivelmente onívoro, insetívoro).

O desenho, no entanto, também é um tributo à movimentada última década de trabalho dos paleontólogos no interior paulista. Literalmente dezenas de novas espécies de vertebrados extintos, em especial crocodilos, os reis daquele ambiente, foram trazidas à luz. O passado da vida no território brasileiro está bem menos obscuro, ao menos para esse período.

Repare ainda em outro fato curioso: os dinossauros parecem ter sido meros coadjuvantes nesse ecossistema — ninguém ainda sabe muito bem o porquê. Eis uma ótima questão para manter ocupada a próxima geração de paleontólogos tupiniquins.

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